segunda-feira, 9 de julho de 2012

A moda e a "orkutização"

Um dia desses acompanhei uma polêmica que aconteceu na fan page do Garotas Estúpidas: Muita gente achou preconceituoso e se indignou com o comentário que a blogueira fez sobre uma foto da Valeska Popozuda: "Nossa amigue Valeskinha de tênis com salto e baroque sunglasses da Prada! hehe Significa..."  A reação das leitoras foi bastante surpreendente: Algumas exageraram um pouco no tom de revolta, outras formaram argumentos bem inteligentes sobre a contradição que é uma grande blogueira (alguém que fala da moda em uma linguagem super acessível e que assim, claramente busca levar o assunto a um público muito amplo e diversificado) "reclamar" que a moda está mais acessível.


Nos últimos anos, a moda tem passado por uma mudança muito clara. Antes dos blogs, para alguém estar por dentro do mundo da moda só haviam as revistas, que com algumas exceções, são publicações caras para muitas pessoas e que são frequentemente criticadas por terem mais em mente o interesse do anunciante do que o da leitora (praticamente a mesma crítica que os grandes blogs estão recebendo hoje em dia).

Ou seja, antes a moda era para poucas. Os blogs chegaram e estão trazendo a moda a pessoas que não tinham acesso ou até curiosidade de ir atrás dela há um tempo atrás. A inclusão digital também está claramente contribuindo com o que eu gosto de chamar de "democratização da moda".

Todas nós sabemos o que quer dizer a orkutização, já que infelizmente essa palavra ridícula caiu na boca do povo. Um povo que aparentemente ainda não está muito preparado para a democratização da internet, da TV a cabo, do avião e o que mais interessa para nós nesse post: da moda!

Reclamações como "tão orkutizando o facebook" e etc só mostram o quanto algumas pessoas não estão preparadas para a igualdade social. Se o Brasil estiver mesmo caminhando para ser um país sem essa absurda desigualdade social que temos hoje (e eu espero muito que esteja), muitas pessoas têm que começar a aceitar a ideia de que elas terão que dividir costumes e ambientes com pessoas que antes não tinham o mesmo luxo!

E outro fator muito importante: A moda funciona da seguinte maneira: As grandes grifes criam as tendências que inicialmente só são usadas pelas trend setters (como o nome já diz). Com o tempo, nós reles mortais que gostamos de moda e queremos seguir as tendências vamos querer usar também. Logo, as redes de fast fashion vão lançar essas tendências por preços acessíveis e assim todas nós ficamos iguais às it girls que começaram com tudo. Aí elas vão perceber que tá todo mundo vestida igual a elas e vão seguir pra próxima tendência. Esse é o ciclo da moda e pronto. Não tem absolutamente nada de errado ou estranho em pessoas comuns usarem as mesmas roupas que as it girls, ao contrário, é a ordem natural das coisas.

Renner, C&A, Riachuelo e Marisa nunca fizeram tão bem como estão fazendo agora o seu dever de entregar as tendências às massas. E as mulheres que antes não tinham interesse/acesso à moda, mas hoje conseguem saber tudo que está in só com alguns cliques, vão adquirir as tendências nas redes fast fashion e vão conseguir se vestir igual ou às vezes até melhor que as it girls que lançaram tais tendências.

Quero deixar bem claro que o que escrevi aqui é algo que eu ando observando e não tem nenhuma base estatística ou acadêmica (mas ando bem interessada em fazer minha monografia sobre esse assunto, assim posso voltar aqui com informações mais concretas).

A moral da história é: A moda está passando por um momento super legal e se você tem algum problema com isso, o problema é você!

13 comentários:

  1. Parabéns pelo post,
    ótimas palavras, gostei muito do que você
    escreveu . E uma dica, se quiser fazer uma monografia sobre esse assunto , tenho certeza que o 10 está garantido . Parabéns mais uma vez !

    Beijinhos no ♥
    esperamos sua visita!

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  2. Paula, muito bacana sua colocação, tb acredito q a igualdade é para todos, ridículo é malhar alguém por estar podendo comprar as marcas da vez, nunca passaria pela minha cabeça, talvez mais algo do tipo "ficou bom ou não" na silhueta de alguém, esse tipo de coisa. Mas todo mundo tem direito.
    bjsss

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  3. Paula minha querida,um dos melhores Post que li nesses ultimos tempos,hoje estava pensando sobre isso,e sobre outros pontos também,vejo a moda como arte e a arte tem ser para todos...
    Vou fazer um post sobre meu ponto de vista em relação as fast fashion e sua função na democratização da moda,vou citar seu Post e indica lo,pois em muita irá acrescentar meu ponto de vista Parabéns viu
    bejuzzz
    Gi Almeida
    www.todas-amam.blogspot.com.br

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  4. Ótima reflexão, e concordo em número, gênero e grau com a sua moral da historia!
    Beijos, Gabi.

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  5. muito bom o post.. concordo plenamente com tudo..
    vc escreve muito bem.. parabéns!
    qual o problema em democratizar a moda?
    pq tanto preconceito?
    e o famoso snob que passou de luxo para lixo, só pq as funkeiras começaram a usar?
    me polpem..
    beeijos

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    1. Hehe é mesmo, o snob é um bom exemplo de algo que certas pessoas pararam de usar com o argumento de que "orkutizou" haha
      beijos!

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  6. Amei o post e super concordei com a frase final, que se alguém vê problema na democratização da moda com certeza o problema é a pessoa que se incomoda com isso.
    Acho que o maior "medo" das pessoas é de certo ponto deixar de serem "exclusivas" e ver que o que antes era um luxo só delas passar a ser um luxo de todos.
    Ainda não li o post da Camila, mas vou correndo dar uma olhada, mas acho que se foi um mal entendido ou algo que ela tenha se expressado errado, já fica a dica não só pra ela, mas pra todo mundo de que quem escreve pra massa deve tomar muito cuidado com as palavras e pontos que se usa porque cadaum entende de um modo.
    Beijos

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    Respostas
    1. É Carolina, concordo com vc... As pessoas têm medo de perder a exclusividade! É preciso entender que a moda tá aí pra todo mundo e se vc quer ser diferente de todos tem que saber usar algo do jeito que ngm usa! é aí que está a graça de ter seu estilo próprio, né? e tb de não ser um cabide de tendências! e quanto ao post da Camila, tb acho que ela se expressou um pouco errado, não vi tanta maldade assim... O problema é que ela deixou muito em aberto com aquele "significa" e tb nem se explicou depois!
      Obrigada pelo comentário, beijos! :)

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  7. Adorei esse post!
    Primeira vez que entro em seu blog, e assumo que dar de cara com um post desse, me deixou mto mais curiosa e acrescentou alguns pontos a mais!! Adorei a reflexao que você fez!
    Beijos

    www.danifreitas.com

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  8. Amiiiga adorei, o post ficou incrivel! Super concordo e acho que a ideia do texto deve ser divulgada!! Beijos

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  9. Parabéns pelo post! Excelente reflexão e bonita visão de mundo a sua! É isso aí, precisamos ser parte da mudança se queremos um mundo melhor! bjs

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  10. Amanda de Albuquerque11 de julho de 2012 12:08

    "A moda está passando por um momento super legal e se você tem algum problema com isso, o problema é você!"
    hahaha, adoro seu jeito curto e grosso!

    Concordo plenamente. Na verdade sempre achei que isso era uma constancia na moda: pessoas que estao no inicio da "cadeia" de alguma tendencia nao se sentem à vontade com o fato de pessoas mais baixas na cadeia começaram a seguir a mesma tendencia. Isso nao está ligado só a renda, mas ao fato da pessoa associar certas coisas com sua personalidade (por exemplo as pessoas descoladas que SEMPRE usaram oculos Ray-Ban modelinho anos 80 verem pessoas que nao tem nada a ver com o estilo cult ou qualquer coisa assim usarem; ou até mesmo com musica. As pessoas nao gostam que seu "artista exclusivo favorito" comece a tocar na Jovem Pan!) É parte da personalidade das pessoas: a musica que houve, o filme que ve, as roupas que veste, os lugares que voce vai etc. E ninguem quer ser igual aos demais: é cool voce conhecer uma banda super legal que quase ninguem mais conhece.

    Pra mim, essa aversão à democratização da moda é constitutivo da moda! Isso faz parte da moda porque as pessoas nao podem ser iguais, ALGUEM tem que ser diferente. E as pessoas que tem acesso a mais informaçoes (ou condiçoes) tendem a achar que elas nao podem se vestir igual às pessoas que compram roupas em C&A etc, como se isso fosse um isulto.

    Na verdade, essa é a parte da moda que me da preguiça, mas anyway.. eu te apoio total em ficar com esse tema na mono!

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Obrigada por comentar, é sempre bom ouvir o que a leitora tem a dizer! :)

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